sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Muita parra e pouca uva

Já muito foi dito sobre o caso Freeport, a verdade é que não consigo aderir ao coro daqueles que afirmam acreditar que a Justiça tem o seu próprio ritmo e que o facto de aparentemente nada ter sucedido nos últimos quatro anos é apenas uma triste coincidência para o Governo e particularmente oportuna para a oposição. Contudo, resumir o caso a uma tramóia ou cabala orquestrada pelo Ministério Público seria no mínimo redutor. É, então, caso para dizer, não há pachorra para ver os media, de quando em vez, a irem aos arquivos buscar peças antigas e servirem-nas como importantes e reveladoras noticias, quando não passam afinal de frenéticos tiros de pólvora seca...!!!

6 comentários:

jorge a. disse...

Caro Bruno,

papagaios vão ser agora os muitos que vão levantar poeira como se isto fosse um caso menor (e vão propôr essa teoria da vitimização).

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1357323&idCanal=12

"Na edição de hoje, o "Sol" revela pela primeira vez que o ministro de Guterres referido numa conversa entre Charles Smith e um administrador do Freeport é José Sócrates. Nessa conversa, gravada pelo administrador com recurso a uma câmara oculta, Smith diz que gastou avultadas quantias em “pagamentos corruptos”, de acordo com o que ficou combinado numa reunião com Sócrates. Este vídeo fará parte do processo de investigação que corre no Reino Unido, onde estará igualmente um e-mail enviado para o Freeport a pedir uma recompensa pelo desbloqueamento do licenciamento."

Isto provavelmente é, como diz, tiros de pólvora seca. Culpe os media, sim... sobre o teor das suspeitas (ou a realidade de uma investigação com buscas já realizadas) nem uma palavra.

António de Almeida disse...

O primeiro ministro fixou a fasquia. Qualquer falha na argumentação por si apresentada na conferência de imprensa terá consequências. Aguardemos...

Planetas - Bruno disse...

Caro Jorge,
O seu anseio sobre a possibilidade de dissertar sobre "suspeitas" do envolvimento de Sócrates num processo que parece ter despertado após 4 anos de hibernação, é interessante, mas infelizmente nem sequer o poderíamos fazer, uma vez que, nem sequer sabemos ao certo, de que é suspeito o homem, se de ter uma família com queda para o negócio ou se ter recebido uns descontos na Saccor do Freeport. Dito isto, enquanto os Media não forem um pouco mais assertivos, temo que teremos de aguardar.
Abraço

Planetas - Bruno disse...

Antonio, temo que teremos de aguardar, o problema é que já o fazemos desde 2005, e pouco ou nada sucedeu..!

Quintanilha disse...

"Não há ilegalidades no licenciamento do Freeport de Alcochete: «Do ponto de vista do direito administrativo, não encontro nada que possa ser considerado ilegal, a menos que a partir de amanhã surjam dados novos que não conheço».

«O decreto-lei, que tem sido apontado como a grande causa de culpabilidade de José Sócrates, foi promulgado pelo Presidente da República Jorge Sampaio e referendado pelo primeiro-ministro Durão Barroso. Isto significa que a teoria de que o decreto-lei foi feito por causa de umas luvas não tem qualquer fundamento, a não ser que me venham provar que o Dr. Durão Barroso também recebeu luvas, bem como o Dr. Sampaio. Parece-me que estamos a cair num grande exagero».

Autor: Prof. Diogo Freitas do Amaral, especialista em direito administrativo.

Planetas - Bruno disse...

Pois é mas o caso Freeport salta de dúvida para dúvida à medida que elas são esclarecidas!