sábado, 15 de maio de 2010

Saudades de Saldanha Sanches!

1944 - 2010
Foi com surpresa e emoção que recebi a notícia de que Saldanha Sanches já não estava entre nós. Apesar de não ter tido o privilégio de o conhecer pessoalmente, sentia (como outros seguramente), que ele despoletava uma espécie de intrincada afinidade e empatia como se de um familiar se tratasse, daqueles que, apesar de vermos poucas vezes, nunca desperdiçamos uma oportunidade de o ouvir atentamente na expectativa de aprender algo de novo. Há um par de anos que me cruzei com ele na Av. da República, lá ia ele caminhando pelo passeio com uma invulgar simplicidade, quer no olhar quer no traje, que de verás me impactou, tendo em conta sobretudo a altivez e soberba com que normalmente se fazem acompanhar as figuras ditas públicas e mediáticas.
Para além do reconhecido mérito político, profissional e académico, Saldanha Sanches era sobretudo um Homem singelo com uma mente brilhante o que é hoje indiscutivelmente invulgar! Foi só ontem mas já deixa saudades!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Passos Coelho - Super Star!

Passos Coelho é aquilo que se pode chamar um homem de sorte, virou "estadista" fruto das circunstâncias! A sua antecessora no cargo encarregou-se de colocar o PSD em níveis pré-comatosos o que lhe facilitou a vida, em particular, no que diz respeito à expectativas quanto à sua prestação. Por outro lado, o ataque à nossa economia e a necessidade do Governo mostrar aos "mercados" que estaria disposto a tudo, inclusive à criação de um Bloco Central factual se a isso obrigasse, veio colocar o estreante Passos Coelho no centro do palco político. Oxalá não se deslumbre com a adrenalina dos holofotes que por vezes podem desnortear os mais incautos.

O cego já apanhou, agora só faltam os outros

Agora que já mostramos aos "mercados"a nossa feroz determinação no combate à crise, apertando mais um pouco o pescoço aos mesmos palermas de sempre, talvez seja o momento de actualizar as taxas de IRC da Banca. Já ninguém acredita que o sector tenha desempenhado um papel determinante, ou sequer relevante, para a reactivação económica do país e das famílias, nem seria suposto que assim fosse, pois não estamos a falar propriamente de IPSS!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

New best friend!

Velhos-abutres-do-novo-mundo

Assistir ao desfile de sabichões que há muito, em surdina, ansiavam pelo dia em que o País mergulharia numa tragédia Grega, é simplesmente repugnante. Sobre tudo porque insistem na teoria de que as recentes alterações no rating da dívida pública são consequência das más politicas do governo, ignorando o facto de estar em curso uma ignóbil campanha especulativa por parte daqueles que, há bem pouco tempo, classificavam a Lehman Brother e a economia Islandesa com AAA.
Incompreensível é também a atitude da Alemanha que, sabendo que a ajuda à Grécia será uma inevitabilidade, opta por adiar o inadiável com consequências bastante mais perniciosas para a zona Euro. Dizem os “entendidos” que o próximo alvo será a Espanha. Ou muito me engano ou a resposta aos ataques especulativos será incomparavelmente mais acutilante e feroz do que aquela que Portugal tem dado.
Independentemente das medidas complementares que o governo possa tomar no combate ao deficit, não creio que as agências de rating e os mercados venham a alteras significativamente as classificações, pois tem ficado demonstrado que o seu funcionamento está longe de se pautar por critérios objectivos e isentos, longe disso!
Gostaria de ver alguns dos nossos brilhantes e notáveis economistas, dissertar sobre a recente actuação destas casas nas semanas que antecederam a crise financeira internacional, pois ao que parece há quem opte por lhes atribuir mais credibilidade que ao BCE e governos europeus!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ontem, hoje, amanhã e vice-versa

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência.Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!» "As Farpas" de Eça de Queirós (1871)

Interrogo-me se não estaremos "condenados" a passar a nossa vida a tecer as mesmas críticas e considerações à semelhança de muitos outros que por cá passaram e cujo retrato de Portugal pouco ou nada mudou. Será que a nossa realidade não passa, afinal de contas, de uma falsa crença de que evoluímos, quando na realidade ficamos iguais ao que sempre fomos e ao que sempre seremos? No dia em que, com naturalidade, assumirmos aquilo que somos será mais fácil deixarmos de o ser sem nos dar-mos conta disso mesmo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Politicagem e os Politiqueiros

Impressiona a facilidade como este País mergulha numa espécie de espiral de demência promovida por uns quanto irresponsáveis que parecem ter conseguido enfiar-nos, goela abaixo, uma enxurrada de disparates sobre pretensos negócios que afinal nunca o chegaram a ser, e sobre uma eventual metira de um politico (pasme-se!)
O País está a braços com multiples reivindicações laborais, lideradas por Sindicatos que parecem ter o mesmo sentido de responsabilidade daqueles que dão o mote para o debate político, ignorando que vamos ficando cada dia mais Gregos.
Na nossa sociedade enferma de miopia crónica e complacente que nos tem impedido de identificar o que é verdadeiramente crucial e merecedor de mobilização colectiva para enfrentar as dificuldades e desafios que se colocam hoje que, seguramente, não serão aquelas que há muito ocupam as primeiras páginas dos jornais e as conversas de café.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mais vale tarde que nunca!!

" Justificou a medida com a necessidade de «dar um exemplo num ano de sacrifícios» em que são congelados os salários da administração pública" Paulo Portas do CDS-PP
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«É chocante que, numa época de crise económica e de crescimento do desemprego e quando o Governo e o primeiro ministro pedem mais sacrifícios aos portugueses, haja gestores públicos a receber prémios de montantes tão elevados», afirmou Passos Coelho do PSD
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No que toca à posição do Partido Socialista diz "a norma é cega e populista", Afonso Candal do PS
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Hoje é aquele dia que nunca pensei que chegasse, pois é, hoje estou totalmente alinhado à Direita! só hoje, (espero) até porque acredito que o partido socialista retome rapidamente a lucidez e não se aventure mais por caminhos alheios, correndo o risco de perder aqueles que por direito lhe pertencem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Nem gordas nem pequenas...


Aqui está a prova irrefutável da manipulação a que têm sido sujeita a nossa Comunicação Social por parte de José Sócrates e do Partido Socialista! Aqueles que se insurgem e denunciam diariamente as pressões sobre os jornalistas e as redacções, bem podem começar a averiguar que tipo de manobras foram feitas para evitar que os resultados desta sondagem merecessem destaque nas primeiras páginas, à semelhança de outras! Desta vez não tiveram direito nem sequer a pequenas...

PS: 20% (41%)PSD:15% (33%)CDS-PP: 5% (10%)CDU: 3% (6%)BE: 3% (6%)Outros: 1% (1%)BN:4% (3%)Não votava: 18%Não sabe: 21%Recusa: 9%

quinta-feira, 11 de março de 2010

Losing Altitude II

Admito a minha total perplexidade (provavelmente por ignorância) perante esta greve de Pilotos que lutam por melhorias salariais (de 600€ a 1000€), sendo que o vencimento médio ronda os 8.500€ mensais! A situação de falência técnica da empresa é sobejamente conhecida, não fosse o Estado e teria fechado há muito as "asas". Quando tomei conhecimento das reivindicações laborais em causa, lembrei-me dos milhares de trabalhadores que se manifestam nas ruas e das intermináveis reuniões de concertação social entre o Patronato, Sindicatos e o Estado por aumentos de 2 a 3% sobre salários que em muitos casos não atingem os 1.000€. Será isto afinal de contas apenas uma consequência do ar rarefeito das grandes altitudes?!
Não me admiraria que, no futuro, os take-off and landing sejam lá para os lados dos Emiratos Árabes, China, Dubai, ou até África. Aqui
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Nota: Este post foi escrito em Setembro de 2009, talvez esteja desactualizado quanto à gravidade que assume hoje a situação face ao passado recente.
Os Pilotos parecem viver encerrados nos seus cockpits, distantes do país real e com uma visão do mundo que parece limitar-se aos lobbies dos Hotéis ***** e ao conforto do estatuto que a profissão lhe proporciona. Deveriam sair desse circulo de privilegiados e conviver com o comum dos mortais, para quem um acréscimo de 10€ no salário faria muita falta. O País na entende (nem nunca entenderá) a atitude da classe nesta matéria!

terça-feira, 2 de março de 2010

Jumento World Wide


Pois é, parece que finalmente o caríssimo Jumento com parcos meios conseguiu o que outros apenas podem sonhar, a internacionalização. Temos então um verdadeiro case study! Eu que pensava que a Interpol era uma espécie de Super Policia que se dedicava a investigar e perseguir perigosos criminosos neste complexo e sofisticado mundo do crime organizado. Nota: Mude de servidor do palheiro porque não vai ser fácil aguentar o tráfego que ai vem, e já agora peça uma licença sem vencimento do Ministério e começa a negociar a publicação do livro. Bem haja!
Aditamento: Aqui fica a reacção do visado face à ignóbil demonstração de jornalismo bufo e viscoso!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Bem me quer, Mal me quer...

O país enfrenta à semelhança do que sucede na Venezuela, uma politização excessiva personificada à volta do 1º Ministro, o que não é bom para a qualidade da nossa democracia. Mas não é menos verdade que a Comunicação Social muito tem contribuído para isso! Chegou o momento de debater os verdadeiros problemas que preocupam aqueles que não tem tempo de antena, nem colunas de opinião, e que enfrentam com sérias dificuldades os seus compromissos financeiros!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Back to Basics

Contra factos, a narrativa
“O primeiro-ministro é mentiroso”. Esta asserção é o centro da narrativa sobre o envolvimento de Sócrates na tentativa de compra da Media Capital pela PT.
Em Junho, da primeira vez que foi confrontado na AR com a possibilidade de negócio, alegou desconhecimento. A narrativa, devidamente baseada em escutas descontextualizadas, sugere-nos que Sócrates mentiu aos deputados. Vozes da "política de verdade" têm, aliás, alegado o mesmo. Somos levados a acreditar na imagem de um primeiro-ministro mentiroso. Tudo vai nesse sentido. Tanto mais que Sócrates tem revelado uma preocupação inusitada com o que a comunicação social diz de si, o que se traduzirá automaticamente num impulso controleiro de facto. Conclusão: Sócrates não só saberia do negócio como seria autor moral da sua concretização. E se não tiver sido assim?
A pergunta é tão insólita que ninguém está disposto a colocá-la. A tendência é de tal modo claustrofóbica que se surgirem factos que contrariem a narrativa, ninguém quererá saber da força dos factos. Contra factos, o que conta é a narrativa, ardilosamente construída.
Depois de três meses fechado numa gaveta, contribuindo para o adensar das suspeitas, na sexta-feira passada foi tornado público o despacho de arquivamento do Procurador-Geral da República - que, ao contrário de nós que conhecemos apenas o que os media querem que conheçamos, contactou com a integralidade dos elementos processuais. O despacho não só é claro, como transcreve uma escuta censurada pelo SOL e que contradiz na raiz a tese do pasquim. Antes de mais, para Pinto Monteiro "não existe uma só menção de que (o primeiro-ministro) tenha proposto, sugerido ou apoiado qualquer plano de interferência na comunicação social. (...) Ao invés, há nas escutas notícia do descontentamento do primeiro-ministro, resultante de não terem falado com ele acerca da operação". E aqui chegamos à escuta de uma conversa entre Rui Pedro Soares e Paulo Penedos, cirurgicamente censurada pelo SOL: "devia ter tido a cautela de falar com o Sócrates... não falei e o gajo não quer o negócio. Era isto que eu temia. Acho que o Henrique não falou com ele, o Zeinal não com falou com ele... eh pá.. agora ele está todo fodido. Está todo fodido e com razão."
Sócrates não só desconhecia o negócio, como estava contra a sua realização. Fica assim provado o que é verdadeiramente pornográfico: a irrelevância deste facto perante o que aparentava ser uma boa história. Só assim se explica o carácter quase clandestino das revelações de sexta-feira. Ninguém duvida que a relação de Sócrates com os media criou um clima propício a esta narrativa, que há no enredo personagens muito pouco recomendáveis e muito por explicar, mas convinha que não se tomassem como bons, de modo tão crédulo, episódios que afinal não existiram.

Pedro Adão e Silva, Professor universitário. aqui

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ora Bolas!

A propósito deste post ,é caso para perguntar «Quantos "Ruis" temos nas NOSSAS empresas públicas?!»

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mais do que um palpite

Ou muito me engano ou o Orçamento de Estado não vai passar!!

Vale Tudo

Alguém já se perguntou quais as consequências da publicação cirúrgica e faseada das escutas sobre os seus intervenientes?! O segredo da justiça serve hoje apenas para alimentar uns quantos Talibans que parasitam do relacionamento promiscuo entre a justiça e a comunicação judicial. Em abono da verdade e da própria credibilização quer dos meios de comunicação quer dos visados, deveriam as escutas ser publicadas na integra, sem manobras insidiosas e premeditadas por parte daqueles que não olham a meios para atingir os seus fins.
É curioso que o Sol, que também se posiciona como vitima da censura, venha violar de forma grosseira uma decisão judicial. A questão que hoje se deve colocar não é falta de liberdade de expressão mas sim de falta respeito pelos direitos mais elementares de uma sociedade democrática e civilizada na qual deve assentar qualquer estado de direito que se prese!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A perpetuação da linhagem

Ora aí está, na sequência da sua disparatada intervenção no PE, Paulo Rangel assume-se hoje como candidato a líder dum partido há muito em gestão. Bastaram umas arruadas e alguma notoriedade conquistada na última campanha, em grande parte devido às peculiares características da sua líder, para ter identificado uma oportunidade única e, muito provavelmente, irrepetível de lutar pela liderança do principal partido da oposição e provavelmente o próximo bastião do Poder. Apesar da sua “frescura” (política, entenda-se) Paulo Rangel servirá o partido e aqueles que hoje o lideram, pois acautela a continuidade dos que se resistem a abrir verdadeiramente o partido. Pedro Passos Coelho será apenas um projecto adiado para quem acreditava e desejava numa verdadeira renovação de rostos e ideologias dentro do PSD.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

América Latina e os ventos de mudança

O que parecia impossível à um ano atrás já se avizinha como uma realidade, ténue bem sei, ainda assim de algum modo irreversível.
A América Latina que mergulhou nos últimos 10 anos numa espiral de populismo demagógico e autocrático, parece hoje ter iniciado um caminho mais pragmático e ideologicamente menos contaminado pelo já gasto anti-americanismo primário e muitas vezes desresponsabilizante de Governos incapazes, corruptos e pouco democráticos.
O México, Peru, Colômbia, Panamá, Uruguai, Costa Rica e recentemente o Chile parecem ter resistido às investidas dos movimentos pseudo comunistas, marxistas, bolivarianistas, provenientes de Caracas / Havana.
Esse movimento ideológico viral surgiu à uma década e tem-se dizimado na região à custa dos pétro dólares, resistindo de maneira eficaz a todas ameaças.
Hoje, o futuro da América Latina já não pertence ao passado de Fidel ou do Chavéz.